
A língua é o tempo?
- Kauana Mota
- há 3 dias
- 1 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Reflexões sobre linguagem, o sofisticado, o clássico e a permanência em Bridgerton
Eu estava assistindo à série Bridgerton, que se passa no início dos anos 1800, e comecei a pensar na língua inglesa daquela época. O inglês era mais rebuscado, mais sofisticado, muito ligado às convenções sociais.
No baile de máscaras da quarta temporada, o que aparece tanto nas falas quanto nas referências culturais é William Shakespeare.
Naquele período, Shakespeare já era clássico, sinônimo de cultura e sofisticação.
E, se a gente for pensar hoje, Shakespeare ainda é cultura. Ele continua sendo lembrado, lido e encenado, assim como Oscar Wilde e outros escritores que atravessaram o tempo. Isso me faz ligar Bridgerton a essa atmosfera sofisticada que a série tenta transmitir.
Essa relação me leva a pensar no que mudou de uma época para outra e no que permaneceu. Os entraves sociais mudaram, muitas ideias deixaram de fazer sentido, outras continuaram. O mesmo acontece com a língua.
Ao longo dos séculos, palavras foram sendo incorporadas, outras se perderam. Isso acontece no inglês, no português ou em qualquer idioma. A poética muda, a forma muda, o jeito de falar muda. Ainda assim, o clássico continua sendo bonito. Continua sendo sofisticado.
Talvez a gente ainda volte ao clássico justamente por isso. Mesmo sendo mais difícil, mesmo exigindo mais atenção, ele permanece. E talvez hoje as pessoas não estejam tão ligadas a isso, mas, ele nunca deixa de estar ali.
Esse texto faz parte de reflexões pessoais sobre língua, cultura e tradução, e sobre a permanência do sentido mesmo quando a língua muda.









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