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- Kauana Mota
- há 16 horas
- 2 min de leitura
Da tradução à comunicação: a ponte entre idiomas, culturas e pessoas
Nas últimas semanas, compartilhei alguns conteúdos que, à primeira vista, pareciam tratar de assuntos diferentes. Falamos sobre a entrevista de Carlo Ancelotti, em que uma jornalista japonesa tentou fazer uma pergunta em português; sobre um comunicado publicado originalmente em italiano; sobre a expressão I feel blue; e sobre termos como tenderness e culture na tradução médica.
Embora os exemplos fossem diferentes, todos tinham algo em comum: a comunicação.
Quando a jornalista tentou falar em português, o objetivo não era demonstrar domínio do idioma, mas conseguir estabelecer uma conversa. Diante da dificuldade, Ancelotti sugeriu que ela falasse em inglês, um idioma frequentemente utilizado como língua comum quando duas pessoas não compartilham a mesma língua materna. Ainda assim, ela preferiu continuar em português, e ele respondeu de forma acolhedora: "Meu português é igual ao seu. Fique tranquila."
Essa cena mostra que comunicar vai muito além de dominar um idioma. O mais importante é que a mensagem consiga chegar ao outro.
O mesmo acontece quando recebemos um comunicado escrito em um idioma que não conhecemos. Se você não fala italiano, por exemplo, dificilmente compreenderá o conteúdo apenas olhando para as palavras. É nesse momento que a tradução deixa de ser apenas uma troca de palavras entre idiomas e passa a cumprir sua principal função: permitir que a comunicação aconteça.
Na tradução médica, essa responsabilidade se torna ainda maior.
Termos como tenderness e culture mostram que compreender uma palavra não significa, necessariamente, compreender seu significado. Em contextos cotidianos, tenderness pode remeter à ternura ou ao carinho. Na semiologia médica, porém, descreve um sintoma clínico específico: dor à palpação. Já culture pode representar costumes e comportamentos de uma sociedade, mas, em documentos médicos, aparece em expressões como blood culture, traduzida como hemocultura.
O mesmo ocorre com expressões idiomáticas, como I feel blue. Traduzida literalmente, a frase perde completamente seu sentido. Somente quando compreendemos o contexto cultural entendemos que ela pode expressar tristeza, desânimo ou até um sofrimento emocional mais profundo.
Esses exemplos mostram que traduzir não consiste apenas em substituir palavras. Traduzir exige compreender o contexto, a intenção da mensagem, a cultura em que o texto foi produzido e a realidade de quem irá recebê-lo.
É por isso que revisão e adaptação também fazem parte desse processo. Revisar não é apenas corrigir erros gramaticais. É verificar se a mensagem continua clara, coerente e adequada ao público. Adaptar não é alterar o conteúdo, mas garantir que o significado seja preservado quando atravessa diferentes idiomas e culturas.
No fim, seja em um prontuário médico, em um artigo científico, em uma legenda, em um comunicado ou em uma conversa entre pessoas de nacionalidades diferentes, o objetivo permanece o mesmo.
Traduzir é construir uma ponte para que uma mensagem chegue ao outro com o mesmo significado que tinha em sua origem.
A tradução permite que palavras atravessem idiomas. A adaptação permite que significados atravessem culturas. E a comunicação acontece. É exatamente por isso que a tradução existe.






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