
Tradução é decisão, não é copiar e colar
- há 3 dias
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Uma palavra certa pode salvar um texto.
A errada pode comprometer tudo.
Traduzir não é substituir termos mecanicamente. Não é procurar a primeira equivalência no dicionário e colar no lugar da palavra original. Não é repetir estruturas esperando que funcionem da mesma forma em outro idioma.
Tradução é decisão.
É decidir como aquele texto vai existir na nova língua.
É escolher como ele será compreendido por quem está do outro lado.
Quando o “correto” não é suficiente
Existem expressões que, isoladamente, estão corretas. Mas nem sempre são adequadas.
Pense em três formas de cumprimento em inglês: “How do you do?”, “How are you doing?” e “What’s the craic?”.
Todas existem. Todas fazem sentido dentro de seus contextos.
Mas cada uma carrega um registro diferente.
Uma é mais formal e tradicional.
Outra é comum e cotidiana.
A terceira é regional e bastante informal.
Se usadas fora do contexto adequado, podem soar artificiais ou deslocadas. Não é necessariamente um erro gramatical. É um erro de escolha.
E é exatamente nesse ponto que traduzir deixa de ser copiar e colar. O tradutor precisa entender a situação, o público e a intenção antes de decidir.
Tradução exige responsabilidade
Ferramentas ajudam. Dicionários orientam. Mas nenhuma decisão é automática.
O tradutor precisa considerar quem vai ler o texto, com qual objetivo e em que contexto.
Um manual técnico não pode gerar dúvida.
Um documento oficial precisa ser claro e coerente.
Um texto sensível exige cuidado no tom.
Pequenas mudanças estruturais também alteram a compreensão. Traduzir “Gastritis” inflamed stomach lining como “revestimento do estômago inflamado” ou como “inflamação do revestimento do estômago” pode parecer apenas reorganização de palavras. Ainda assim, a ênfase muda e a leitura se direciona de forma diferente.
Às vezes, não se trata de estar certo ou errado.
Trata-se de ser claro.
Nem todo problema em uma tradução é evidente. Muitas vezes, o leitor apenas sente que algo não flui.
Uma boa tradução não chama atenção para si. Ela permite que o texto cumpra sua função com naturalidade.
Entre o que é “correto” e o que é adequado, existe uma decisão.
E é nessa decisão que a tradução ganha sentido.









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